Da lama nasce a esperança.

Impossível esquecer o que aconteceu em novembro de 2015 em Mariana, quando a barragem de rejeitos da Samarco foi rompida e destruiu todo o distrito de Bento Rodrigues em Minas Gerais.  Considerado como o maior desastre ambiental  dos últimos 100 anos, a tragédia deixou 19 mortos, devastou 1.176,44 hectares de mata, inclusive áreas de preservação permanente e afetou 49 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo.

A previsão é de que a área demore mais de 10 anos para se recuperar. A lama já atingiu o mar e infelizmente não sabemos onde a lama tóxica irá parar. Comunidades de tartarugas marinhas correm risco de extinção e milhares de espécies desapareceram com o desastre.

Sete meses após esse triste episódio, a Polícia Federal indiciou oito pessoas e as empresas Vale, Samarco e VogBR, no inquérito que foi responsável pela apuração dos crimes contra o meio ambiente e danos ao patrimônio histórico.

Mariana perdeu tudo, menos a esperança. Uma iniciativa em parceria com o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e o Laboratório de Geometrias e Geotecnologia  da EEUFMG (Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais) pretende acelerar o renascimento da região, reconstruir casas e gerar renda às comunidades locais.

Com o lema “A lama que destrói também pode ajudar a reconstruir. Tijolo por Tijolo.”, o projeto Tijolos de Mariana fabrica tijolos de forma artesanal a partir da lama espalhada pelo rompimento da barragem. Os tijolos produzidos são utilizados para reconstruir moradias e restabelecer a infraestrutura local.

Todo mês são retirados 60 toneladas de rejeitos  que servem de matéria prima para a elaboração dos tijolos. Como os rejeitos são tóxicos, é utilizado uma tecnologia inovadora que transforma os rejeitos em compostos limpos e atóxicos antes de serem utilizados. A produção de tijolos é feita em um processo ecológico que não envolve emissão de gases e a mão de obra utilizada é totalmente local, gerando renda a população.

O objetivo do projeto é que ao final de cada ano 70 toneladas de lama tenham sido retiradas do meio ambiente e que isso gere a produção de 1,2 milhão de tijolos. A ideia é de, além de reconstruir a cidade, os tijolos possam ser vendidos por todo o país.

O projeto não tem financiamento do governo e nem por empresas de mineração e a meta é ampliar a produção para uma escala industrial. Quem quiser ajudar “Tijolos de Mariana” é possível fazer doações pelo Kikhante. Maiores informações sobre o projeto e como ajuda-lo você encontra no site http://www.tijolosdemariana.com.br/

A crise e o caos de Mariana gerou essa oportunidade. Em tempos em que a ganância humana e o desrespeito estão em alta, projetos como esse nos fazem restaurar a fé e a esperança em eras melhores.

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Tarsyla Masys

Tarsyla Masys

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Paulistana, publicitária, pós-graduada em Gestão Cultural, amante da natureza, apaixonada pelo universo literário e em busca de ideias inovadoras que mudem o mundo.

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